Monthly Archives: October 2014

PRÉMIOS PEN CLUBE 2013 – com o patrocínio da DGLAB

Finalistas (Shortlist)

POESIA:

– Fernando Echevarria, Categorias e Outras Paisagens, Afrontamento

– Gastão Cruz, Fogo, Assírio & Alvim

– Golgona Anghel, Como uma Flor de Plástico na Montra de um Talho, Assírio & Alvim

– Luís Quintais, Depois da Música, Tinta-da-China

– Pedro Tamen, Rua de Nenhures, Dom Quixote

ENSAIO:

– Diogo Ramada Curto, Para que serve a História, Tinta-da-China

– Gonçalo M. Tavares, Atlas do corpo e da Imaginação, Caminho

– Isabel Morujão, Por Detrás da Grade – Poesia Conventual Feminina (sécs. XVI-XVIII), Imprensa Nacional-Casa da Moeda

– João Constâncio, Arte e Niilismo, Nietzsche e o Enigma do Mundo, Tinta-da-China

– João Madeira, História do PCP, Tinta-da-China

 NARRATIVA:

– Ana Luísa Amaral, Ara, Sextante

– Ana Margarida de Carvalho, Que importa a fúria do mar, Teorema

– Bruno Vieira Amaral, As primeiras coisas, Quetzal

– Mário de Carvalho, A liberdade de pátio, Porto Editora

– Rui Nunes, Armadilha, Relógio d’Água

NOTA: Não há lista de finalistas do prémio Primeira Obra, que será atribuído, bem como os outros prémios, em data a anunciar brevemente.

Resolução #22: Língua Portuguesa. Apresentada pelo Comité de Tradução e Direitos Linguísticos do PEN Internacional

A Assembleia de Delegados do PEN Internacional, reunida no seu 80º Congresso Mundial em Bishkek, Quirguistão, de 29 de Setembro a 2 de Outubro de 2014:

Referindo-se à Resolução do PEN Internacional de 2012, que expressava um desapontamento pelo facto de as autoridades portuguesas “intentarem uma limitação do português pela imposição de regras artificiais” (pela estandardização da língua portuguesa); Reiterando a resolução do PEN Internacional de 2013, que apelava às autoridades portuguesas para “tomarem medidas imediatas para permitir uma restauração do português europeu na administração pública e nas escolas” e para “ter em conta… as opiniões de especialistas em Linguística… e garantir que os editores cessem de impor condições abusivas e restritivas para a criação literária”;

Preocupado com o facto de, apesar destas objecções, o Parlamento português ter aprovado, em 28 de Fevereiro de 2014, uma resolução apresentada pelos partidos do governo no sentido de formar um grupo de trabalho para monitorizar a implementação do Acordo Ortográfico, O PEN Internacional nota o seguinte: A experiência dos últimos três anos demonstrou a resistência dos países lusófonos ao Acordo Ortográfico. Enquanto o governo brasileiro adiou a implementação desse Acordo até 2016, outros países como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste ou não o ratificaram ou não se vêem em condições para implementá-lo. Apesar disso, as autoridades portuguesas mantiveram a imposição inconstitucional do Acordo. Segundo a Constituição da República Portuguesa (Artigo. 43º.2) “o Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas”. Para além disso, o Acordo foi implementado apesar do facto de o seu próprio texto prever um período de transição até 2016.

Adicionalmente, o PEN Internacional refuta o argumento segundo o qual esse Acordo conduzirá a uma simplificação da língua com benefícios no plano da educação. A nova relevância dada à ortografia segundo critérios orais e não etimológicos distancia a língua portuguesa das suas raízes gregas e latinas, limitando a capacidade de os estudantes entenderem a evolução da língua e as relações entre as línguas. Entretanto, vários editores impuseram o Acordo a escritores e tradutores, o que viola a liberdade de expressão destes últimos, bem como o Código dos Direitos de Autor da Sociedade Portuguesa de Autores.

Assim, o PEN Internacional reitera as seguintes recomendações às autoridades portuguesas no sentido de:

• Tomarem medidas imediatas para permitir a restauração do português europeu na administração pública e nas escolas e instituições educacionais;

• Respeitarem a herança cultural comum, bem como a relação entre o português e outras línguas europeias, em concordância com a Constituição da República Portuguesa (Artigo 43º.2).

Além disso, o PEN Internacional apela às autoridades portuguesas para que:

• Reconheçam publicamente a existência de problemas significativos na implementação do Acordo Ortográfico, tal como foi acima assinalado;

• Respeitem a liberdade dos escritores e tradutores para escolherem a opção ortográfica mais apropriada para o seu trabalho.

 

NOTA: A resolução foi aprovada por unanimidade pelos delegados dos 58 Centros presentes no Congresso.

“Céus claros sem limites”: medidas e desmesuras no 80ª Congresso do PEN Internacional, decorrido entre 28 de Setembro e 2 de Outubro, em Bishkek, Quirguistão

No seu exílio nova-iorquino, o poeta chinês Huang Chiang recorda a “terra abundante e estrondosa” debaixo dos pés de alguém que vive a liberdade antes de a ver aprisionada. Todas as manhãs em que decorreram os trabalhos da Assembleia Geral do Congresso, era lembrado um escritor ausente: na sua cadeira vazia estava apenas o seu retrato, assinado por mais de 100 delegados que representavam 58 Centros PEN, vindos de todas as partes do mundo. Tema do Congresso: “Minha língua, minha história, minha liberdade”.

No meio das estepes da Ásia Central, a cidade de Bishkek enquadra em abundante vegetação a herança arquitectónica soviética e os letreiros cirílicos sobrepõem-se aos escritos na língua nativa da Quirguízia e os anúncios das marcas ocidentais. O bilinguismo, trilinguismo nem sempre funcionam fora das paredes do Congresso. A impressão de que uma busca de medida pode tornar-se obsessiva ou prioritária em tempos e lugares de desmesura repetiu-se ao longo dos dias. Mas que podiam significar os tempos mortos e as longas distâncias entre os hotéis e os lugares das reuniões de comités, assembleias, sessões literárias e espectáculos musicais senão uma oportunidade de reencontrar a família do PEN, fazer fintas aos caminhos das crises com os percursos e projectos individuais e colectivos dos vários Centros?

A Quirguízia sempre foi uma velha cultura antes de se tornar uma jovem república após a desintegração da União Soviética. No primeiro dia, vimos num cinema local o belíssimo filme “Kurmanjan Datka, a rainha das montanhas”, de Sadyk Sher-Niyaz, filme de 2014 que cavalga pela história de meio século de desavença tribal e dominação russa, buscando a identidade de um povo entre nomadismo e sedentarismo. Compreende-se a idealização quando se respira os espaços que parecem não ter limites e depois podem ver-se enclausurados. Como Azimion Askarov, jornalista e defensor dos direitos humanos, acusado de cumplicidade pelo assassínio de um polícia sem provas convincentes e condenado a prisão perpétua: o seu retrato desenhado a traços finos ocupou uma das “cadeiras vazias”.

As reuniões dos Comités (Escritores na Prisão, Escritores para a Paz, Tradução e Direitos Linguísticos, Mulheres Escritoras), ocorridas em simultâneo, permitem uma abertura à discussão plural que não se torna possível na Assembleia Geral, com uma agenda densa e com 23 resoluções por aprovar. Síria, Etiópia, Eritreia, Cuba, China, Vietname, Irão, Tibete, Honduras, Coreia do Norte – pontos nevrálgicos de violações ao direito de viver e escrever em liberdade; mesmo nos lugares sem o peso da guerra, a difamação e perseguição de escritores e jornalistas mostra a incapacidade de sustentação do livre debate, de uma justiça eficaz contra a corrupção denunciada.

Foram eleitas para os dois lugares à disposição na Direcção internacional (num total de 7) Margie Orford (Centro PEN da África do Sul) e Teresa S. Cadete (PEN Clube Português), bem como Simona Škrabec (Centro PEN da Catalunha) para a Presidência do Comité de Tradução e Direitos Línguísticos.

Ainda assim abriu-se o espaço de uma hora para debater as restrições à liberdade de expressão da diferença LGBT em países como a Rússia. E o conflito entre a Rússia e a Ucrânia fez parte de mesas-redondas e foi objecto de duas resoluções apelando ao diálogo. Que outra coisa se pode fazer senão apelar, insistir em profusão e repetição?

Duas das resoluções foram apresentadas pelo Comité de Tradução e Direitos Linguísticos: sobre as restrições ao uso da língua catalão em comunidades autónomas como Valência e as Baleares e sobre a língua portuguesa, ameaçada pela imposição do “Acordo ortográfico”. Esta apelava às autoridades competentes para proceder à reposição do português europeu, comprovada sobejamente a insustentabilidade de tal pretensa reforma. Ambas as resoluções foram aprovadas por unanimidade.

Uma resolução sobre as alterações climáticas, na preocupação com a herança face às gerações futuras, foi também aprovada por unanimidade, tendo em vista a Cimeira de Paris em 2015. A poeta Quirguízia Dalmira Tilepbergen, presidente do PEN da Ásia Central, evoca a ventura de se ter nascido com um fim. Outra possível leitura de uma busca de medida neste mundo das estepes, nesta república que cresce para o futuro. Como os “céus sem limites de que falava Huang Chiang.

 

Fotos: Anúncio do 80º Congresso na Biblioteca Nacional de Bishkek; nova Direcção do PEN Internacional, no retiro de trabalho pós-congresso em Kalmak Ashu

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