Leitura mundial de poemas e outros textos de e por autores portugueses em homenagem ao poeta Ashraf Fayadh Lisboa, 14 de Janeiro de 2016 às 18.30 horas Na Sociedade Portuguesa de Autores, Auditório Carlos Paredes (R. Gonçalves Crespo, 62. Metro: Picoas) Organização – PEN Clube Português, Sociedade Portuguesa da Autores

Apelo para uma leitura mundial em 14 de Janeiro de 2016
O Festival Internacional de Literatura de Berlim (ilb) exorta todos os indivíduos, instituições, escolas e órgãos de comunicação social, que se preocupam com a causa de justiça e liberdade, para que participem numa acção mundial de leitura de poemas escolhidos e outros textos, em apoio de Ashraf Fayadh, no dia 14 de Janeiro de 2016.
Ashraf Fayadh, um poeta e curador de arte palestiniano de 35 anos, que vive na Arábia Saudita, foi condenado à morte por um tribunal saudita em 17 de Novembro de 2015 pelo “crime” de apostasia. Foi-lhe negado o acesso a um advogado durante a detenção e o julgamento.
Fayadh tem sido uma figura-chave na divulgação da arte saudita contemporânea à escala global. Chris Dercon, director da Tate Modern e amigo do poeta, descreveu-o como “alguém que é directo e ousado”.
Para além de renunciar ao Islão, Fayadh é também acusado de blasfemar e promover ateísmo através da sua colecção de poesia, Instruções Incluídas, publicada em 2008. Fayadh assegurou que os poemas são “apenas acerca de mim próprio enquanto refugiado palestiniano…sobre temas culturais e filosóficos. Mas os extremistas religiosos explicaram que se tratava de ideias destrutivas contra Deus”.
As acusações, associadas à falta de um processo devidamente legal, mostram que não é Fayadh o culpado, mas a Arábia Saudita, de novo desrespeitando os direitos humanos e o Estado de direito. Em várias investigações, o reino é considerado como um dos países menos livres do mundo. Segundo a organização Human Rights Watch, as leis mais repressivas da Arábia Saudita criminalizam agora a livre expressão e concedem às autoridades um poder policial excessivo que não está sujeito a uma supervisão pelo poder judicial.
O caso de Ashraf Fayadh não é a história de um homem singular, mas um símbolo para todas as vítimas de um regime profundamente repressivo que tem o apoio de governos ocidentais que afirmam valorizar a liberdade e a democracia acima de tudo. Presentemente, a Arábia Saudita tem assento no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, um órgão cujos membros são supostamente os detentores dos mais elevados níveis de liberdades civis. A Arábia Saudita está aí desde 2013, graças a negociatas de voto secreto conduzidas com o Reino Unido, como foi revelado pelos Wikileaks. Outros países ocidentais continuam a permitir o fluxo de armas e legitimidade em direcção à Arábia Saudita, a fim de que o petróleo continue a fluir até eles próprios. Neste fluxo ficam capturados pessoas comuns como Ashraf Fayadh, cujos direitos passam despercebidos no reino saudita e no estrangeiro.
Por entre todas as recentes acusações emitidas por dirigentes ocidentais contra o EI, numa retórica de guerra e ameaças de retribuição, não houve uma única palavra acerca do papel da Arábia Saudita no apoio à promoção da forma virulenta do Islão praticada pelo EI. Não existem dúvidas acerca da intersecção da sua ideologia: ambos permitem métodos como chicotadas ou decapitações (neste capítulo, é um facto que a Arábia Saudita ultrapassou o EI no ano passado) infligidas a quem não partilhe os seus pontos de vista.
Com esta acção de leitura à escala mundial, exigimos que os governos do Reino Unido e dos Estados Unidos intervenham em favor de Ashraf Fayadh como um primeiro passo para pressionar a Arábia Saudita para que eleve o seu nível de protecção dos direitos humanos.
Exigimos ainda que as Nações Unidas suspendam a Arábia Saudita do Conselho dos Direitos Humanos até que melhore o seu recorde abissal, no que diz respeito à repressão das liberdades civis.
Exortamos também os governos ocidentais, especialmente o Reino Unido e os Estados Unidos, a que se consciencializem dos problemas inerentes à manutenção de relações de conveniência, que se abstêm de questionar um país que é tristemente célebre por abusos sistemáticos em matéria de direitos humanos.
A Organização WWR (World Wide Reading)

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