Intervenções na cerimónia de entrega dos prémios PEN, na Sociedade Portuguesa de Autores, em 21.11.2017

Intervenção de Teresa Salema Cadete, Presidente do PEN

Exmo. Senhor Director-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, Dr. Silvestre Lacerda, Exmo. Senhor Representante da SPA, Dr. Pedro Campos, Caros Premiados,

Caros Colegas dos Júris e do PEN, Prezados Editores, Estimado Público,

Antes de ler a minha breve intervenção enquanto presidente do PEN, gostaria de vos transmitir a mensagem de saudação de S. Exa. o Ministro da Cultura e também nosso sócio, Luís Filipe Castro Mendes:

“Caros amigos e consócios do PEN

Na impossibilidade de estar hoje convosco, envio através da Teresa Cadete a minha mensagem de grande solidariedade para com o PEN Clube, de felicitações sinceras a todos os premiados e de felicidades e esperança no futuro.

Reconheço o papel que o PEN Clube desempenha na defesa da expressão literária e das liberdades de que carece toda e qualquer criação.

Pelas liberdades e pelos direitos fundamentais de todos os homens e mulheres, uma saudação a todos vós”

 

Junto de nós encontra-se – em efígie – Raif Badawi, condenado em 2012 a 10 anos de prisão e a 1000 chicotadas por ter ousado, na sociedade saudita, defender a separação entre a religião e o Estado, assumindo uma ali inexistente liberdade de expressão. Antes de ser encarcerado, Raif Badawi nunca chegaria a publicar um livro, pois à semelhança do que se passa ainda em muitos países, os escritores optam ali por contornar as restrições à liberdade de expressão criando blogs, até que estes sejam encerrados pelas respectivas autoridades governamentais.

Estamos a viver uma época de excepção e o PEN, nacional e internacional, tem plena consciência disso. Qualquer ilusão de evidência pode e deve ser questionada, porém de um modo analítico e crítico como nos ensina a melhor tradição esclarecedora das fragilidades da razão, como de todo o sistema construído que tão facilmente pode ser destruído. Mesmo nas nossas democracias, no quadro de uma União Europeia que tem constantemente de ser interrogada e melhorada mas que seria estulto pôr em causa, o livre uso da palavra é tudo menos uma evidência. Será que não existe censura entre nós? Não haverá formas de auto-censura, que poderão ir da cedência a voyeurismos mercantis de violência e sexo até ao consentimento da conversão de um texto de autor a opções ortográficas que o mesmo não deseja e que transfigura a língua em que elaborou a sua obra? Não implicará a liberdade sobretudo uma libertação de constrangimentos extrínsecos à criação, dos quais aqueles que acabo de mencionar são meros exemplos? Sempre existirão mais perguntas do que respostas. E para que não restem equívocos: o PEN defende tão-somente a liberdade de criação, que inclui o respeito por todas as opções de um autor, sejam elas quais forem, a montante. A jusante, caberá ao júri  avaliar os resultados sob forma de obra, de acordo com as suas opções e critérios, que no caso destes prémios serão a seguir fundamentados.

As escolhas dos júris dos prémios PEN passam por métodos inteiramente transparentes, que protegem a liberdade de reflexão e escolha através da manutenção do anonimato dos mesmos até à comunicação da decisão final sobre as obras premiadas, após uma análise que inclui a selecção final entre os autores e obras publicados. Gostaria, neste contexto e neste particular momento, de sublinhar a importância da consciência e mesmo, ouso di-lo, do milagre que pode representar o segurar nas mãos e folhear, longe da turbulência mediática, as páginas de um livro que implica o sacrifício da madeira das árvores, de muitas gotas de água, de bens que se tornam escassos e que nos apelam a apreciar ainda mais criteriosamente o que os autores nos oferecem, as editoras nos disponibilizam e que a DGLAB tem permitido premiar. Lamentamos, neste contexto, que não tenha vindo parar este ano às mãos dos júris, nos géneros em causa, uma Primeira Obra digna de relevo.

Fala-se de dois paradigmas que ameaçam a lenta sedimentação cultural e artística, bem como o exercício crítico e reflexivo da liberdade de expressão: o totalitarismo censório e a sociedade do espectáculo mediático e por aí imediatista. A nossa literatura, que resistiu durante 48 anos a tendências orwellianas, tem igualmente sabido resistir ao outro factor dissolvente de sistemas de valores estéticos, nomeadamente ao admirável mundo novo da facilidade tecnológica e da diversão huxleyiana. O segredo? Para um escritor digno deste nome, talvez seja sentar-se e escrever, deixando que o mundo o atravesse e se deixe reconfigurar. Não confundamos porém o trabalho aprofundado de uma obra literária no seu contexto espácio-temporal com receitas rápidas de escrita consumível. A parte invisível de um iceberg tem de ser levada muito a sério para que o cume visível possa ser apreciado devidamente.

Por todas estas razões, por estarmos aqui entre pares a celebrar, em colegial liberdade, o resultado de um trabalho que já vai na sua 38ª edição, a todos o sincero OBRIGADO do PEN.

 

Intervenção de Teresa Martins Marques (presidente do júri) sobre o prémio PEN de Poesia

Fernando Pinto do Amaral, Manual de Cardiologia, Lisboa, D.  Quixote, 2016.

O júri do Prémio de Poesia do PEN Clube Português, constituído por João David Pinto-Correia, Isabel Cristina Mateus e Teresa Martins Marques, decidiu atribuir o Prémio de Poesia, por unanimidade, a Fernando Pinto do Amaral, pela sua obra Manual de Cardiologia, publicada pela editora D. Quixote. Esta obra reúne as condições essenciais para a atribuição deste prémio, pela sua excelência, no que diz respeito ao original trabalho de reinvenção da linguagem, confirmando a maturidade de uma voz poética singular, já anunciada em obras anteriores. O júri salientou a modernidade dos motivos, a originalidade da estrutura do macro-texto, que conta uma história (Stendhal, De L’Amour) de cristalização e de descristalização amorosa, sublinhando a ligação estabelecida entre a poesia e as diversas áreas da Ciência, sobretudo a Medicina, a Física e a Biologia.

A menos que o leitor sofra de extrassístoles, é bem provável que desconheça a significação do complexo QRS, ou qual o papel da onda T ou da onda P; todavia, bastará ler atentamente o poema EGC para perceber não apenas o funcionamento cardíaco, mas como este funcionamento torna possível uma interpretação metafórica da paixão. Denotando desde o título uma forte unidade temática, Manual de Cardiologia é uma espécie de compêndio íntimo sobre o coração, enquanto órgão biológico, objecto científico, imagem ou metáfora poética. Mas é também um tratado íntimo sobre as suas patologias, sobre a funda ferida que nele deixou a ausência omnipresente da mulher nas suas múltiplas materializações corpóreas. Uma ferida não suturada que divide o coração do sujeito lírico e está na origem da cisão interior que a sua voz poética denuncia. Manual de Cardiologia é também, e sobretudo, um manual de sobrevivência do eu para além dessa fractura, desejo de um recomeço, de uma batida ou pulsação para lá da morte que o amor significou, do tom magoado, que domina estes poemas.

Para além do apuro formal, é notável a convocação da memória intertextual como matéria de construção (e desconstrução) poética, nomeadamente o Carmina 85 de Catulo – “Odiet amo”- no poema “Excrucior” (p.65); Dante comparece no poema justamente intitulado “Vita Nuova” (p.89), que remete para o soneto “A ciascun’ alma presa e gentil core”(cap. III de VitaNuova); o poema “Meio-tom” (p.100) convoca Baudelaire através de “um albatroz à toa num convés” como representação alegórica do poeta incompreendido pelo vulgus profanus; a peça de Sartre Huis Clos serve de título ao poema da dissolução do eu “Descer apenas isto quase já / sem esforço Dissolver / a alma “ (p.57); Sylvia Plath surge no poema “The Bell Jar” (p. 86), espelhando o tema da novela póstuma publicada sob o pseudónimo Victoria Lucas; Tchecové aludido no poema “Fortaleza” (p.75) através do jovem escritor Trigórin, personagem d’A Gaivota. Álvaro de Campos e a “Tabacaria” surgem de forma irónica no poema “Farmacologia” (p. 71): “Toma os teus comprimidos rapariga/ toma comprimidos / Olha que não há mais metafísica no mundo senão comprimidos /Olha que as religiões e as filosofias / não nos ensinam mais que a farmacologia”.O poema “Bandeira Branca” (p. 25) aponta para “Autopsicografia” através da metáfora pessoana do coração -“quando o velho comboio de corda / acelera o seu ritmo e te diz que uma ficção como essa pode ser verdade”. O poema “Holograma” (p. 28) pode ser lido como chave do livro, mostrando a verdade de uma mulher-ficção, ainda em eco de Dante: “Ela não está aqui Foi sempre um / holograma / mas tu mendigas hoje uma palavra / que por ti  só por ti / movesse o sol e as estrelas “(p. 29).

O físico teórico António Manuel Baptista disseque“ a poesia não é apenas purificação, intensificação, transformação da experiência individual […]. É algo mais. Mas é estranho que esse mundo acrescentado ao mundo pela actividade científica e tecnológica pareça ter quase sempre permanecido ignorado pelos poetas[…].» (António Manuel Baptista, «Auto-polémicas: O Insustentável Peso dos Frutos», in AA. VV.,Matemática e Cultura II, Lisboa, CNC / SPB Editores, 1995, p.131.)

Fernando Pinto do Amaral em boa hora escreveu um livro-ponte entre a Ciência e as Humanidades, porque sabe que é na aliança da ciência e da criação artística que reside a chave explicativa para muitos enigmas do homem. Nestes tempos que atravessamos e em que assistimos a uma desvalorização das humanidades e, em particular, da literatura, em nome dos números, dos índices económicos ou do crescente poder das máquinas, estabelecer o diálogo criativo entre estas duas áreas do saber, chamar a atenção para a importância que o coração (o mundo íntimo das emoções) e o pulsar poético têm na definição de um mundo que desejamos de rosto humano não deixam de ser gestos simbólicos que queremos sublinhar. Gestos de um fazer poético que são afinal a sístole e a diástole do coração do mundo.

O Júri: Teresa Martins Marques (Presidente), Isabel Cristina Mateus, João David Pinto-Correia

 Prémio PEN Clube Português de Ensaio, referente a livros publicados em 2016

Obra vencedora: A Situação e a Substância: Cinco Ensaios sobre a Ficçãode Virginia Woolf e de Maria Velho da Costa, de Rui Miguel Mesquita (Porto: Afrontamento, 2016).

O júri do Prémio PEN Clube Português de Ensaio, composto por Carlos Mendes de Sousa, João de Mancelos e Ricardo Gil Soeiro, decidiu atribuir o prémio, por unanimidade, ao livroA Situação e a Substância: Cinco Ensaios sobre a Ficção de Virginia Woolf e de Maria Velho da Costa, de Rui Miguel Mesquita, livro publicado pelas Edições Afrontamento. Perspectivados como prolegómenos de uma fecunda “transabordagem” que “possa aglomerar os contributos das Humanidades e os das ciências cognitivas” (p. 10), os estudos que compõem a obra em apreço elegem um corpus textual bem definido que contempla a ficção de Virginia Woolf e de Maria Velho da Costa.

Cruzando The Waves (1931) e Lucialima (1983), perscrutando Mrs. Dalloway (1925) e Maina Mendes (1969), confrontando Between the Acts (1941) e Casas Pardas (1977), o desiderato fundamental do autor consiste em desfiar o argumento da erosão narrativa, separando ou aproximando os universos narrativos de Virginia Woolf e de Maria Velho da Costa, consoante as exigências que o próprio compasso da reflexão vai impondo. Em tal procedimento se consuma um dos grandes méritos desta obra: o de revelar uma admirável capacidade de entretecer objectos de estudo, de intersectar distintas áreas do saber e de ir intercalando a inquirição teórica e as análises textuais. O que resulta é uma arquitectura simultaneamente fluida e sólida que permite encarar, de modo compacto, um heteróclito mosaico de horizontes textuais e de referências filosófico-culturais.

Estruturada em cinco áreas temáticas claramente identificáveis (personagem, estruturação narrativa, representação espacial, representação temporal e identidade), a presente obra ensaia um movimento que nos leva da ausência (que decorre da erosão dos modos de representação narrativa herdados do realismo oitocentista) a uma singular forma de substância que brota da incompulsável fluidez em que, afinal, se ancoram as complexas personagens que povoam estes romances polimorfos.

Com efeito, o autor chama a atenção para a reconfiguração do mundo ficcional que um novo pacto de leitura necessariamente mobiliza, conferindo particular destaque à pluralidade de perspectivas que aí se abrem. É justamente dessa multiplicidade de vozes que nos fala Rui Miguel Mesquita quando, debatendo o tópico da acção enquanto dispositivo angular dos estudos narratológicos, nos ensina que “a lição do romance (e, porque não, de toda a experiência artística) é a de que não é possível circunscrever o espectro do comportamento humano numa formulação. Há sempre uma possibilidade por contar, e ela pode fazer toda a diferença. Entretanto, isso não impede a criação das narrativas mais diversas, cada uma procurando oferecer uma explicação melhor e mais abrangente; uma certa sabedoria romanesca saberá reconhecer aquelas que se aproximam perigosamente do dogma. Se esta é a lição do romance, seja também a nossa. Não há palavras últimas e definitivas” (p. 155).

Como se constata, nesta obra a agudeza da análise e a solidez conceptual aliam-se, de um modo feliz, à limpidez de expressão que cativa o leitor desde a primeira página. Escrito com rigor, maturidade e elegância, A Situação e a Substância está à altura da excelência científica que um labor desta índole exige, evitando redundâncias e furtando-se à erudição exangue que, por vezes, mina este tipo de investigação académica. A informação encontra-se devidamente escorada por fontes credíveis e recentes, como atestam a bibliografia primária e a bibliografia secundária.

O livro que agora temos o prazer de premiar assume-se, em suma, como uma notável obra ensaística que, pelo rasgar de novos caminhos de reflexão e de leitura que propõe, interpela-nos no sentido de auscultar renovadas fulgurações de pensamento e conexões especulativas no âmbito dos estudos literários.

O Júri do Prémio PEN Clube Português
Ricardo Gil Soeiro, Carlos Mendes de Sousa, João de Mancelos

Acerca do Prémio PEN de Narrativa:

O júri do Prémio de Narrativa do PEN Clube Português regozija-se com a entrega desta distinção à obra Uma Bondade Perfeita do escritor Ernesto Rodrigues, felicitando o autor pelo seu livro notável, bem como a sua editora Gradiva.

Agradecemos ao representante da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, e a todos os presentes, que muito nos honram com a sua comparência.

Havia um elemento em comum nas obras seleccionadas na “shortlist”: indo além da narrativa, destacaram-se por um uso muito particular da ferramenta do escritor que é a linguagem, tendo-a obrigado a ultrapassar os seus limites naturais. No caso de Ana Teresa Pereira, Karen visita os meandros da identidade e da memória. Mas seja o livro Não se pode morar nos olhos de um Gato de Ana Margarida de Carvalho, seja Pequena Europa de Mafalda Ivo Cruz, e principalmente Os homens que os pássaros comem de Francisco Sousa Vieira, inserem-se de modo peculiar nas preocupações que pautam as estratégias do PEN Clube desde 1921: uma atenção às frequentemente frágeis conjunturas de possibilidade de uma luta por condições de vida e criação de viável dignidade. Acontece que a literatura vive dessa irresolvida e por aí permanente tensão, produzindo espaços de pensamento para além da liberdade estética.

O romance finalista – Uma Bondade Perfeita de Ernesto Rodrigues – revelou-se, ainda, exímio no jogo com a própria construção narrativa, com os seus componentes usuais, des-estruturando e re-estruturando a ficção, tentando esgotar os próprios registos de escrita, fazendo chegar aos seus limites o pacto narrativo

Trata-se de um “roman-à-clef”, “engagé”, caleidoscópico, um “puzzle”, um enigma que só pode ir sendo desvendado pelo próprio leitor.

No seu cerne encontram-se dois “fait-divers”, hipotéticas ocorrências jornalísticas: por um lado um caso de violência doméstica, em que o marido pode ter assassinado a mulher; por outro, a explosão de uma bomba que poderá ter deflagrado num campo de refugiados.

As personagens começam por ser “tipo”, sem nome – o botequineiro, o frade, o médico – definidas pela função social: «Ninguém tinha nome, forma suprema de vazio» (p.75). Quando o adquirem, mesmo sendo o seu sentido e simbologia explicitados, pouco mais se adianta: o médico é Hipócrates; «Sérvulo e Sicário são a mesma pessoa em dois ofícios/ – Eu sabia deste; não que fosse SS» (p.94). E todos poderão não ser mais que proliferações do “eu” que se observa na vitrina de uma loja de espelhos, cujos corredores visita: «hipótese: cada forma era puro ecrã, onde projectavam nossos fantasmas ou os que lhes imputássemos» (p.14).

Também o espaço não é circunscrito. Multiplica-se por geografias vagas, com viagens a locais mal definidos: uma urbe com estação de comboios e presídio; um campo de refugiados e cavernas. Destaca-se uma deslocação a Londres, onde é respeitada a topografia da cidade em torno de Russell Square. Mas os lugares vão subordinar-se à(s) história(s) – informa-se que existe pena de morte (p.27), e há línguas estranhas que se articulam (p. 44). Já os tempos são declarados quase episódio a episódio, entre Fevereiro e Março de 2010, para contar a(s) história(s) ou hipotéticas biografia(s) de vinte anos atrás.

O tema vai-se construindo – filosoficamente – em oposição ao título: Uma Bondade Perfeita só pode ser entendida em função do seu oposto, a maldade. Algures uma personagem – que por vezes é o herói – revela: «Quis fazer um teste: ser bom» (p.80). Este, na qualidade do possível carrasco (de nome Clemente) inaugura o livro com um futuro “leit-motiv”: «Quero contar como fui convidado a matar a minha mãe» (p.9). Vão assim surgindo as monstruosidades possíveis ao ser humano – assassínios, incestos, nas variantes tornadas comuns e banais em noticiários e relatos televisivos.

A(s) história(s) organizam-se também como um “zapping” pelas várias vidas e vários temas. Os mesmos acontecimentos vão ser narrados por cada personagem de acordo com o respectivo ponto-de-vista, que lhes acrescenta detalhes e pormenores insólitos, alterando as perspectivas, fechando a(s) narrativa(s).

E também os registos de escrita vão acompanhando estas multiplicidades: relato na primeira pessoa, ou na terceira; diário ou biografia; entrevista e guião. Há premeditadas interferências de memórias e “qualia” proustianos (p. 44), ou do monólogo dramático joyceano (p.146).

O final pode ser feliz – bondoso – mas só na mente do leitor. Como num caleidoscópio que, depois de agitado, oferece sempre composições diferentes.

Teresa Salema, Helena Barbas, Francisco Belard

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